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    Você já teve a sensação de que algo na política está errado, mas não consegue explicar exatamente o quê?

    Não é falta de informação. Nunca tivemos tanto acesso a dados, notícias, opiniões, especialistas. Ainda assim, cresce uma sensação silenciosa de confusão. As pessoas se dividem, os discursos se multiplicam, e, no meio disso tudo, fica cada vez mais difícil saber quem realmente está certo – ou, pior, quem está sendo verdadeiro.

    Talvez o problema não esteja na falta de informação. Talvez esteja no desconhecimento e na dificuldade de discernimento.

    Existe uma parábola bíblica simples – e poderosa – que ajuda a entender isso. Ela fala de um homem que planta em seu campo uma semente boa, produtiva, que alimenta, que gera resultado, que cumpre sua finalidade: o trigo. Tudo parece estar sob controle. Mas, durante a noite, um inimigo entra e planta outra semente, quase idêntica à primeira: ele planta o joio.

    Eles crescem juntas. Têm a mesma aparência. Ocupam o mesmo espaço. Quem olha de fora não consegue diferenciar. Mas, com o tempo, a diferença aparece. O trigo cresce, amadurece e produz fruto. Sua espiga fica cheia, pesada, e se inclina. O joio, por outro lado, não produz o que deveria. Sua espiga é leve, vazia, improdutiva. Permanece ereta, mas sem conteúdo.

    Aqui está o ponto central que muitos ainda não perceberam: o problema não é apenas a existência do joio. É o fato de ele se parecer com o trigo. Essa é a raiz da confusão que vivemos hoje.

    Estamos cercados por ideias, discursos, propostas, lideranças e posicionamentos que parecem corretos. Falam linguagem que parece certa. Defendem causas que, à primeira vista, parecem boas. Usam palavras como “justiça”, “igualdade”, “direitos”, “liberdade”.

    Mas aparência não é essência. E é exatamente isso que o joio faz: ele imita o trigo. Ele não se apresenta como erro. Ele se apresenta como uma versão alternativa do que é correto. Esse é o erro mais difícil de identificar.

    Porque ninguém se engana com o que é claramente ruim. O problema está naquilo que parece bom, mas não é. E quando não conseguimos fazer essa distinção, começamos a tomar decisões baseadas na aparência, não na verdade.

    Apoiamos ideias que soam bem, mas não produzem bons resultados. Defendemos propostas que prometem muito, mas entregam pouco, ou entregam o oposto do que prometem. Seguimos pessoas que até falam “correto”, mas agem de forma incoerente ao longo do tempo.

    Isso acontece na vida pessoal. Acontece nas relações. E acontece, de forma ainda mais grave, na vida pública. Porque, quando o joio se espalha em decisões que afetam toda a sociedade, o impacto deixa de ser individual. Ele se torna coletivo.

    E aqui está outro ponto importante: no início, não é possível separar o trigo do joio com facilidade. Quem tenta fazer isso de forma precipitada, sem conhecimento profundo sobre suas diferenças, corre o risco de errar. Por quê? Porque, enquanto estão crescendo, eles são muito parecidos.

    Isso nos ensina algo fundamental: o conhecimento é essencial e não é imediato, e mais: somente quem conhece consegue discernir o trigo do joio. Conhecer e discernir exigem tempo. Exigem dedicação. Exigem maturidade.

    A diferença real não aparece no discurso inicial. Ela aparece no resultado. É o fruto que revela. O trigo produz. Sustenta. Alimenta. O joio aparenta, mas não entrega.

    E essa é uma das maiores falhas do nosso tempo: avaliamos tudo pela fase inicial. Pela fala. Pela intenção declarada. Pela imagem construída. Mas não esperamos o suficiente para ver o que aquilo produz. E, sem perceber, passamos a tratar joio como se fosse trigo.

    O problema é que essa escolha tem séries consequências. Porque, mais cedo ou mais tarde, aquilo que é vazio se revela. Aquilo que não produz começa a mostrar seus efeitos. E, quando isso acontece, muitas vezes já estamos comprometidos com decisões que não podem ser facilmente desfeitas.

    Talvez seja por isso que tanta gente hoje sente que algo não está funcionando – mesmo sem conseguir identificar exatamente o quê. A sensação está correta. Mas falta nomear o problema.

    Sim, existe trigo e joio ao nosso redor. A questão é: Você consegue distinguir os dois?